Meu marido e eu gostaríamos de saber se seria permitido ter aulas de Árabe em um colégio onde as turmas são misturadas (homens-mulheres). Entendemos que não existe a mistura de gêneros, mas estamos confusos sobre a definição de “mistura”. Por favor, diga-nos o que é permitido e o que não é, e dá-nos prova.

Todos os louvores são para Allah.

A reunião, mistura e o ajuntamento de homens e mulheres em um
lugar, a aglomeração deles, e a revelação e exposição de
mulheres a homens são proibidas pela lei do Islam (Shari’ah). Esses atos
são proibidos porque eles estão dentre as causas para a fitnah
(tentação ou teste que implica em consequências malignas), a excitação
dos desejos, e o cometimento de indecência e infração.

Dentre muitas provas desta proibição no Alcorão e na
Sunnah, estão:

Versículo 53 da Surah al-Ahzab, ou os Confederados
(interpretação do significado):

“(…)
E, se lhes perguntais por algo,
perguntai-lhes, por trás de um véu. Isso é mais puro para vossos
corações e os corações delas…”

Na explicação deste versículo, Ibn Kathir (que Allah tenha
misericórdia dele) disse: “Significando, como eu vos proibi de entrar em
seus quartos, proíbo-vos de olhar para elas de todo. Se alguém quiser
algo delas devei fazê-lo sem olhar para ela. Se alguém quiser pedir algo a uma
mulher, o mesmo deve ser feito por detrás de uma tela.”

O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele)
impôs a separação de homens e mulheres até mesmo no local mais
reverenciado e preferido de Allah, a mesquita. Isso foi cumprido através da
separação de fileiras de mulheres das de homens; eles foram convidados a
permanecer na mesquita após a conclusão da oração
obrigatória para que as mulheres tenham tempo suficiente para deixar a
mesquita; e, uma porta especial foi atribuída às mulheres. A evidência
do exposto é:

Umm Salamah (que Allah esteja satisfeito com ela) disse que depois do
Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse
“as-Salamu ‘Alaikum wa Ramatullah” duas vezes, anunciando o fim da
oração, as mulheres deveriam levantar-se e sair. Ele ficaria um pouco
antes de sair. Ibn Shihab disse que ele pensou que a permanência do Profeta
(que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) era para que as
mulheres pudessem sair antes dos homens que queriam retirar-se.” Narrado por
al-Bukhari sob o nº 793.

Abu Dawud, sob nº 876 narra o mesmo hadith em Kitab al-Salaat sob o
título “Insiraaf an-Nisaa’ Qabl al-Rijaal min al-Salaah”
(Saída das Mulheres antes dos Homens depois da Oração). Ibn ‘Umar
disse que o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam
sobre ele) disse: “Devemos deixar esta porta (da mesquita) para as mulheres.”
Naafi’ disse: “Ibn ‘Umar nunca mais entrou por aquela porta até que morresse.”
Narrado por Abu Dawud sob o nº 484 em “Kitab as-Salah” no Capítulo
intitulado: “at-Tashdid fi Thalik”.

Abu Hurairah disse que o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah
estejam sobre ele) disse: “A melhor das fileiras dos homens é a primeira e a
pior é a última, e a melhor das fileiras das mulheres é a última
e a pior é a primeira.” Narrado por Muslim sob o nº 664.

Esta é a maior evidência que a Lei do Islam (Shari’ah) proíbe
reunião e mistura de homens e mulheres. Quanto mais longe das fileiras
das mulheres os homens estejam, melhor e vice-versa.

Se esses procedimentos e precauções foram prescritos e aderidos
em uma mesquita, que é um local puro de adoração, onde as pessoas
estão mais distantes do que nunca da excitação do desejo e da tentação,
então, sem dúvida, os mesmos procedimentos precisam ser seguidos
ainda mais rigorosamente em outros lugares.

Abu Usaid al-Ansari narrou que ele ouviu o Mensageiro de Allah (que a
paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) dizer para as mulheres em
sua saída da mesquita quando viu homens e mulheres juntos em seu caminho
para casa:

“Ceda espaço (ou seja, ande pelos lados), pois não é apropriado
que andeis no meio da estrada.” Desde então, as mulheres andariam
tão próximas da parede que seus vestidos ficariam agarrados nela.
Narrado por Abu Dawud em “Kitab al-Adab min Sunanihi, Capítulo: Mashyu
an-Nisa Ma’ ar-Rijal fi at-Tariq.” Sabemos que a reunião, mistura e
aglomeração de homens e mulheres é parte da inevitável, mas
lamentável, provação dos dias de hoje na maioria dos lugares,
como mercados, hospitais, colégios, etc., mas:

·        

Não
escolheremos ou aceitaremos voluntariamente mistura e aglomeração,
particularmente nas aulas religiosas e nas reuniões do conselho nos
Centros Islâmicos.

·        

Tomamos precauções para evitar a reunião e mistura de
homens e mulheres, tanto quanto possível, ao mesmo tempo em que
atingimos metas e objetivos desejados. Este resultado pode ser alcançado
através da designação de locais separados para homens e mulheres, usando
diferentes portas para cada um, utilizando meios modernos de
comunicação, como microfones, gravadores de vídeo, etc., e agilizamos
esforços para ter professores suficientes para ensinar mulheres, etc.,

·        

Mostramos temor a Allah tanto quanto podemos ao não olhar os
membros do sexo oposto e ao adotarmos o autocontrole.

Seguem
alguns dos resultados de um estudo sobre mistura realizado por alguns pesquisadores
muçulmanos de ciências sociais:

Quando pusemos a seguinte pergunta: Qual é o parecer Islâmico sobre
mistura, tanto quanto você sabe? Os resultados foram os seguintes:

76% dos entrevistados disseram “Não é permitido.”

12% disseram, “É permitido” –
mas as
restrições morais, religiosas, etc. aplicam-se…

12% disseram, “Não sei.”

Qual você escolheria?

Se você tivesse a escolha
entre trabalhar em um local de trabalho
misto e trabalhar em outro onde não há mistura, o que você
escolheria?

As
respostas a esta questão foram as seguintes:

76%
escolheriam o local de trabalho onde não havia mistura.

9%
preferiram o local de trabalho misto.

15%
aceitariam qualquer local de trabalho que correspondesse às suas
especialidades, independentemente de estarem misturados ou não.

Muito
embaraçoso.

Alguma situação embaraçosa já aconteceu com você por causa
da mistura?

Dentre os momentos embaraçosos mencionados pelos entrevistados neste
estudo foram os seguintes:

Eu estava no trabalho um dia, e entrei em um departamento onde uma das
minhas colegas que usa hijab, o retirou na frente de suas colegas. Minha
entrada a surpreendeu e, como resultado, fiquei muito envergonhado.

Eu tinha que fazer um experimento no laboratório na universidade,
mas estava ausente no dia do experimento. Eu tive de ir ao laboratório
no dia seguinte, deparei-me como o único homem em um grupo de estudantes
do sexo feminino, além de uma professora e uma técnica de laboratório.
Fiquei muito envergonhado e me senti constrangido com todos aqueles olhos
femininos me encarando.

Eu estava tentando tirar um absorvente de uma das gavetas quando fui
surpreendida por um colega atrás de mim, que queria tirar algo de sua
própria gaveta particular. Ele notou que eu estava envergonhada e saiu
da sala rapidamente para evitar meu constrangimento.

Aconteceu
que uma das garotas da universidade tropeçou em mim ao virar uma esquina em um
corredor lotado. Ela estava caminhando rapidamente, indo para uma das
palestras. Como resultado dessa colisão, ela perdeu o equilíbrio,
e eu a peguei em meus braços, como se eu a estivesse abraçando. Você pode
imaginar quão envergonhado eu e essa menina nos sentimos na frente de um
grupo de jovens destraídos.

Uma de minhas colegas caiu das escadas na
universidade e suas roupas abriram
de uma forma extremamente embaraçosa.
Ela caiu de cabeça para baixo e não pôde se ajudar; o jovem rapaz em pé
próximo dela não teve opção, a não ser
cobrí-la e ajudá-la a se levantar.

Eu
trabalho em uma empresa e entrei para dar alguns papéis ao meu chefe. Quando
estava saindo, meu chefe me chamou de volta. Eu me virei e o vi com o rosto
virado. Eu estava esperando que ele me pedisse um arquivo ou mais papéis, e
fiquei surpresa com sua hesitação. Eu me voltei para o lado esquerdo do
seu escritório, fingindo estar ocupada com alguma coisa, e ele falou
comigo à mesma hora. Eu pensei que meu chefe diria qualquer coisa, exceto o que
ele realmente disse, que foi apontar que minha roupa estava manchada com sangue
menstrual. Será que a Terra pode se abrir e engolir um ser humano no
momento de fazer súplica sincera? Porque rezei para que a Terra se
abrisse e me engolisse.

Vítimas da mistura… Histórias
reais.

Esperança perdida.

Umm Muhammad, uma mulher madura com mais de 40
anos, conta sua história.

Eu tinha uma vida modesta com meu marido. Nunca
houve proximidade e harmonia, e ele não tinha o tipo de personalidade
forte que uma mulher esperaria, mas sua boa natureza me fez ignorar o fato de
que eu era a responsável pela maioria das decisões tomadas na família.

Meu marido sempre costumava mencionar o nome de
seu amigo e parceiro de negócios, e ele falava sobre ele na minha
presença, e costumava encontrá-lo em seu escritório, que
originalmente fazia parte do nosso apartamento. Isso aconteceu por muitos anos,
até que as circunstâncias nos levassem a trocar visitas com essa pessoa e sua
família. Essas visitas familiares foram repetidas e, devido à sua
amizade com meu marido, não percebemos o aumento do número de
visitas e quantas horas uma única visita
duraria. Ele costumava vir sozinho para se
sentar conosco, eu e meu marido, em visitas longas. A confiança do meu marido
nele não tinha limites e, com o passar dos dias, conheci muito bem essa
pessoa e vi o quão maravilhoso e decente ele era. Comecei a sentir uma
forte atração por este homem e, ao mesmo tempo, comecei a sentir que o
sentimento era mútuo.

As coisas deram uma reviravolta depois disso,
quando percebi que esse homem era o tipo de pessoa com quem eu sempre sonhei.
Por que ele veio agora, depois de todos esses anos? Quanto mais a
posição desse homem aumentava a meus olhos, mais a posição do meu
marido diminuía. Era como se eu tivesse precisado ver a beleza de seu
caráter para descobrir quão feio era o caráter do meu
marido.

O assunto entre essa pessoa e eu não foi
além desses pensamentos persistentes que estavam ocupando minha mente noite e
dia. Nem ele, nem eu nunca expressamos o que sentíamos em nossos
corações… até hoje. No entanto, apesar disso, minha vida acabou e meu
marido é pouco mais do que um homem fraco, sem auto-estima. Eu o odeio e
não sei como todo esse ódio contra ele transbordou. Eu me
pergunto como eu aguento por todos esses anos, suportando sozinha todos esses
encargos, enfrentando sozinha os problemas da vida.

As coisas ficaram tão ruins que pedi
divórcio, e ele me deu, conforme pedi. Depois disso, ele se tornou um
homem falido. Ainda pior do que isso é que depois que meu casamento naufragou e
meus filhos e marido foram devastados, surgiram problemas na família
desse homem. Sua esposa, com sua intuição feminina, percebeu o que vinha
acontecendo e sua vida tornou-se um inferno. Ela ficou sobrecarregada de
ciúmes ao ponto de uma noite deixar sua casa às 2 da manhã e vir
atacar minha casa, gritando, chorando e lançando acusações. Seu casamento
também estava prestes a entrar em colapso.

Eu admito que os encantadores encontros que
costumávamos aproveitar nos davam a oportunidade de conhecer uns aos
outros em uma hora que não era apropriada nesta fase de nossas vidas.

Seu casamento foi destruído e também o
meu. Perdi tudo, e agora sei que as minhas circunstâncias e as dele não
nos permitem dar um passo positivo em direção a ficarmos juntos. Agora
estou mais miserável do que nunca, e estou à procura de felicidades
ilusórias e de esperanças perdidas.

Olho por Olho

Umm Ahmad nos diz:

Meu marido tinha um grupo de amigos casados ​​e, devido à
nossa amizade com eles, costumávamos nos reunir uma vez por semana em
uma de nossas casas, para desfrutarmos uma noite de conversa.

No fundo do meu coração, nunca me senti confortável com a
atmosfera na qual tivemos jantares, doces, lanches e sucos, acompanhadas de
ondas de riso por causa das piadas e conversas fiadas que muitas vezes
ultrapassavam os limites das boas maneiras.

Em nome da amizade, as barreiras foram levantadas e de vez em quando
alguém ouviria risos reprimidos entre uma mulher e o marido de outra mulher. As
piadas eram demais, lidando – sem demonstrar timidez – com tópicos
sensíveis, como sexo e assuntos privados das mulheres. Isso era habitual
e foi até aceito e considerado desejável.

Embora fizesse essas coisas junto com elas, minha consciência me fez
sentir culpada. Então, chegou o dia em que ficou bastante claro o quanto
feia e suja essa atmosfera era.

O telefone tocou, e eu ouvi a voz de um dos amigos desse grupo. Eu disse
olá para ele e pedi desculpas porque meu marido não estava em
casa. Ele respondeu que sabia disso, e que ele estava ligando para falar
comigo! Depois ele sugeriu começar um relacionamento comigo, fiquei muito
irritada e falei com dureza com ele e o xinguei. Tudo o que ele pôde fazer era
rir e dizer: “Nem tente me mostrar essas boas maneiras; vá ver as boas
maneiras do teu marido e veja o que ele está fazendo…” Fiquei devastada
pelo que ele disse, mas eu me refiz e disse a mim mesma “essa pessoa
está apenas tentando causar o fim do seu casamento”. Mas ele conseguiu
plantar as sementes da dúvida com relação ao meu marido.

Pouco depois, uma catástrofe aconteceu. Descobri que meu marido estava
me traindo com outra mulher. A meu ver, era questão de vida ou a morte.
Encontrei meu marido e eu o confrontei, dizendo: “Você não é o
único que pode ter um relacionamento. Recebi uma proposta semelhante.”
E eu contei a ele sobre seu amigo. Ele ficou atordoado e absolutamente chocado.
(Eu disse 🙂 “Se você quer que eu pague na mesma moeda ao seu
relacionamento com essa mulher, então isso é para aquilo, olho por
olho.” Esta foi uma enorme bofetada no rosto para ele. Ele sabia que, na
verdade, eu não tinha intenção de fazer aquilo, mas percebeu o
grande desastre que aconteceu com nossas vidas e a atmosfera imoral em que
vivíamos. Eu sofri demais até que meu marido finalmente deixasse aquela
mulher sem vergonha com quem ele estava tendo um relacionamento, como ele me
admitiu. Sim, ele a deixou e voltou para sua família e filhos, mas como
posso sentir por ele o mesmo que sentia? Quem restaurará o respeito por
ele no meu coração? Esta enorme ferida no meu coração ainda
está sangrando por arrependimento e raiva daquela atmosfera imunda;
ainda testemunha-se ao fato que o que eles chamam de reuniões inocentes
são, na realidade, tudo, menos inocentes. Meu coração ainda
implora misericórdia do Senhor da Glória.

A inteligência também pode ser uma tentação (fitnah)

‘Abd al-Fattaah diz:

Eu trabalho como chefe de departamento em uma das grandes empresas.
Durante muito tempo admirei uma de minhas colegas, não por sua beleza,
mas por sua atitude séria ante seu trabalho, sua inteligência e suas excelentes
conquistas – além do fato de que ela era uma pessoa decente e modesta, que
focava apenas em seu trabalho. Esta admiração virou apego, e eu sou um
homem casado que teme a Allah e que nunca perde nenhuma oração
obrigatória. Expressei a ela meus sentimentos, mas fui rejeitado. Ela é
casada e tem filhos também. Ela não vê razão alguma para que eu
tenha qualquer tipo de relação com ela, quer seja amizade, como colegas
de trabalho ou com base em admiração… etc… Pensamentos malignos me
vêm algumas vezes e, no fundo, eu gostaria que seu marido se divorciasse dela,
para que eu a convencesse.

Eu comecei a colocar pressão nela no trabalho e a
rebaixá-la ante meus chefes. Talvez isso fosse uma forma de vingança da
minha parte, mas ela aceitou isso com boas maneiras e não reclamou ou
comentou. Ela trabalha e trabalha; sua performance fala por sua qualidade, e
ela sabe muito bem disso. Quanto mais ela me resistiu, mais forte a minha
paixão crescia.

Não sou uma pessoa que é facilmente tentado pelas mulheres,
porque eu temo a Allah e transpasso o limite com elas e vou além do que é
requerido pelo meu trabalho. Mas essa mulher me atraiu. Qual é a
solução?… Eu não sei.

Patinhos sabem nadar

N.A.A., uma garota de dezenove anos, nos conta:

Na época eu era uma menina. Meus olhos inocentes presenciaram essas
reuniões noturnas quando amigos da família reunir-se-iam em casa.
O que lembro é que eu via apenas um homem, que era o meu pai. Eu o observava
enquanto ele andava pela sala, como suas encaradas devoravam as mulheres
presentes, olhando para suas coxas e peitos, admirando os olhos dessa, o cabelo
daquela, os quadris da outra. Minha pobre mãe não tinha escolha,
a não ser cuidar dessas reuniões. Ela era uma senhora bem
simples.

Dentre as mulheres presentes havia uma mulher que, deliberadamente,
tentava obter a atenção do meu pai, às vezes aproximando-se dele, outras
fazendo movimentos sedutores. Eu observava isso com preocupação,
enquanto minha mãe estava na cozinha, ocupada pelo bem dos seus
convidados.

Essas reuniões pararam subitamente e tentei, jovem como era,
entender e dar sentido do que tinha acontecido, mas não pude.

O que lembro foi que minha mãe desmoronou naquela época, e ela
não podia suportar ouvir o nome do meu pai mencionado na casa. Eu
costumava ouvir palavras misteriosas sussurradas pelos adultos à minha volta:
“Traição… quarto… ela os viu com seus próprios olhos… mulher
infame… em uma posição muito vergonhosa…” etc.  Essas foram as palavras chaves que apenas os
adultos podiam entender.

Eu cresci e vim a entender, e guardava rancor contra todos os homens.
Todos eles eram traiçoeiros. Minha mãe era uma mulher destruída e
acusou toda mulher que veio até nós de ser uma ladra de homem que queria
fazer meu pai cair em sua armadilha. Meu pai não mudou. Ele ainda
pratica seu hobby favorito de caçar mulheres, mas agora ele o faz fora de casa.
Hoje, tenho dezenove anos e conheço inúmeros jovens. Sinto grande prazer
em me vingar deles, porque cada um deles é uma cópia exata do meu pai.
Tento-os e os seduzo, sem deixa-los sequer chegarem perto de mim. Eles me
seguem nas reuniões e nos mercados por causa dos movimentos e gestos que
faço deliberadamente. Às vezes meu telefone não para de tocar e
eu sinto orgulho do que eu faço para vingar o sexo de Hawwa’ e minha
mãe. Mas, por vezes, me sinto tão miserável e tão
fracassada que isso quase me sufoca. Minha vida é assombrada por uma enorme
nuvem negra, e seu nome é meu pai.

Antes que seja tarde demais

S.N.A. nos conta sua experiência:

Eu nunca imaginei que as circunstâncias do meu trabalho me forçariam
estar em contato com o sexo oposto (homens), mas isso é, de fato, o que
aconteceu…

No começo costumava me cobrir e proteger dos homens usando niqaab (véu
facial), mas algumas das irmãs me avisaram que este tipo de vestimenta
atrai ainda mais a atenção para a minha presença e que seria melhor para
mim tirar o niqaab, especialmente quando meus olhos eram um tanto atraentes.
Assim, tirei a cobertura do meu rosto, achando que isso era o melhor. Mas, ao
continuar me misturando com meus colegas, descobri que eu era a esquisita, por
causa da minha atitude antissocial e minha insistência em não me juntar
na conversa e bater papo com os outros. Todos estavam cautelosos quanto a esta
“loba solitária” (como eles me viam), e isso é o que foi claramente dito
por uma pessoa que não queria lidar com alguém de caráter
tão arrogante e reservado. Mas eu sabia que eu era o oposto, na verdade,
e eu decidi que não me oprimiria e colocaria em posição
difícil com meus colegas. Então, comecei a me juntar nas suas conversas
e trocas de anedotas, e todos eles descobriram que eu conseguia falar eloquente
e persuasivamente, e que eu podia influenciar outras pessoas. Eu podia também
falar de maneira determinada e ainda assim era atraente para alguns de meus
colegas. Não demorou muito para que notasse algumas mudanças na
expressão do meu supervisor direto; com certo embaraço, ele estava
gostando da maneira que eu falava e andava, e ele voluntariamente criava
tópicos na conversa onde eu podia ver aquele olhar odioso nos seus olhos.
Não nego o fato de que eu comecei a entreter alguns pensamentos sobre
esse homem.

Achei
impressionante que um homem pudesse cair tão facilmente na armadilha de
uma mulher comprometida religiosamente, então, como deve ser no caso das
mulheres que se adornam e convidam os homens a praticar ações imorais?
Na verdade, não pensei nele de nenhuma maneira que ultrapassasse os
limites da shari’ah, mas ele ocupava um espaço nos meus pensamentos por algum
tempo. Mas logo minha dignidade me fez rejeitar a idéia de ser uma fonte de
prazer para este homem de qualquer forma, mesmo que fosse apenas de natureza
psicológica, e eu deixei de me envolver em qualquer tipo de trabalho que
forçaria a me sentar sozinha com ele. No final, cheguei às seguintes
conclusões:

1 – Atração entre os gêneros pode ocorrer em qualquer
situação, não importa o quanto homens e mulheres neguem isso. A
atração pode começar dentro dos limites da shari’ah e terminar além
desses limites.

2 – Mesmo se a pessoa se proteja (com o casamento), ela não
está a salvo das armadilhas de shaitan.

3 – Ainda que a pessoa possa se garantir e que ela trabalhe com o sexo
oposto dentro de limites razoáveis, ela não pode garantir os
sentimentos da outra parte.

Por fim, não há nada de bom na mistura e isso não
gera frutos, como clamam. Ao contrário, ela corrompe o raciocínio
sensato.

E agora?

Podemos perguntar, o que vem em seguida, depois desta discussão
sobre o assunto da mistura?

Está na hora de reconhecermos que não adianta o quanto
tentemos embelezar o assunto da mistura e o examinemos superficialmente, suas
consequências podem nos atingir, e o dano causado trará resultados
desastrosos para nossas famílias. A prudência se recusa a aceitar que a
mistura é uma atmosfera saudável para as relações humanas. Esta é
a prudência que fez a maioria das pessoas incluídas nesta pesquisa (76%)
preferirem trabalhar em um ambiente em que não há a mistura. A
mesma percentagem (76%) disse que a mistura não é permitida, de acordo
com a shari’ah. O que nos faz nos endireitar e prestar atenção
não é esta percentagem honorável – que indica a pureza de nossa
sociedade islâmica e a limpeza dos corações de seus membros – mas o
pequeno número que disse que a mistura é permitida; eles são 12%.
Este grupo, sem exceção, disse que a mistura é permitida, mas dentro dos
limites estabelecidos pela religião, costume (‘urf),
tradições, boas maneiras, consciência, modéstia, cobertura, e outros
valores respeitáveis que, na opinião deles, mantêm a mistura
dentro dos limites adequados.

Perguntamos a eles: será que a mistura que vemos hoje em dia em
nossas universidades, locais de comércio, locais de trabalho e reuniões
familiares e sociais, acontece dentro dos limites supramencionados? Ou
será que esses lugares estão cheios de transgressões em
termos de vestimenta, linguagem, interações e comportamentos? Vemos
exposição gratuita de adornos (tabarruj), cobertura imprópria,
vemos fitnah (tentações) e relacionamentos dúbios, sem boas
maneiras e sem consciência e nenhuma cobertura. Podemos concluir que o tipo de
mistura que acontece hoje em dia é inaceitável mesmo para aqueles que a
aprovam em uma atmosfera limpa.

Está na hora de reconhecermos que a mistura fornece um terreno
fértil para os venenos sociais invadirem e tomarem nossa sociedade sem que
ninguém ao menos se dê conta que a mistura é a causa. Ela é o elemento
primário nesta fitnah silenciosa, sob a sombra da qual as
traições irrompem, causas são destruídas e corações
são quebrados.

Pedimos a Allah que nos mantenha seguros e sãos, e que reforme
nossa sociedade. Que Allah abençoe nosso Profeta Muhammad.