A pessoa ignorante está perdoada em relação a questões de shirk e kufr? Eu sei que vocês afirmaram em seu site que tal pessoa está desculpada, mas eu gostaria de saber, com algum detalhe, a evidência que indica que a pessoa ignorante é perdoada em relação às questões de crença e politeísmo.

Todos os louvores são para
Allah

Com relação à pessoa
ignorante que pratica atos de kufr ou shirk, um dos dois seguintes
cenários deve ser aplicado:

-1-

O primeiro cenário é: ele
não é Muçulmano, quer siga outra religião ou não tenha
uma.

Se é esse o caso, então esse
indivíduo é um incrédulo, quer ele saiba o que está fazendo ou
ignore, ou baseie sua descrença em alguma má interpretação. Ele
não está sujeito às mesmas sentenças que um Muçulmano neste mundo,
ele está sujeito às sentenças dos incrédulos, porque, em primeiro lugar,
ele não entrou no Islam, então como é que podemos julgá-lo
ser Muçulmano quando ele nunca alegou ser?

No que diz respeito à vida futura,
se ele realmente era ignorante, e o chamado do Islam nunca lhe chegou de
maneira alguma, ou o alcançou de forma distorcida, de maneira que a prova não
foi estabelecida contra alguém como ele, então, no que concerne ao seu destino
no Dia da Ressurreição, houve um longo debate entre os sábios.

A visão acadêmica mais
correta sobre ele é que ele será testado no Dia da Ressurreição.
Então, quem obedecer a Allah entrará no Paraíso, e quem O
desobedecer entrará no Inferno.

Shaikh al-Islam Ibn Taimiyah (que
Allah tenha misericórdia dele) disse:

Existem inúmeros relatos que
afirmam que, no caso de uma pessoa à qual a mensagem não tenha alcançado
neste mundo, um mensageiro lhe será enviado no Dia da
Ressurreição.

Fim da citação de Majmu’
al-Fataawa
(17/308)

Isso foi discutido anteriormente nas
respostas às perguntas n° 1244 e
215066

-2-

O segundo cenário é: ele
afirma ser Muçulmano e cumpre as condições de ser descrito como tal, e
ele declara abertamente sua completa crença no Islam e sua crença no Mensageiro
(que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele).

No caso de tal pessoa, se ela
pratica uma ação que a torna uma incrédula por ignorância, ela
não deve ser considerada incrédula por causa disso, e a descrição
de ser muçulmana não deve ser tirada dela, a menos que a prova de que ela
está errada seja estabelecida e explicada à pessoa.

Shaikh ‘Abd ar-Rahmaan as-Sa’di
disse:

No que diz respeito a quem crê em Allah
e em Seu Mensageiro e permanece firme em obedecê-los, mas nega algo que o
Mensageiro trouxe, por ignorância ou falta de conhecimento sobre aquilo que o
Mensageiro trouxe – mesmo que isso constitua descrença e aquele que o pratica é
um incrédulo – o fato de que ele ignorou o que o Mensageiro trouxe não
permite julgar essa pessoa em particular como incrédula, não importa se
a matéria traga ou não uma questão fundamental ou menor, porque a
descrença significa rejeitar o que o Mensageiro trouxe, ou rejeitar parte disso,
conscientemente.

Assim, você pode saber a diferença
entre o incrédulo que não acredita no Mensageiro e o crente que rejeita algo
do que ele tirou da ignorância e do desvio, inconscientemente e por teimosia.

Fim a citação de
al-Fataawa as-Sa’diyyah
(p. 443-447)

A desculpa da ignorância é algo que
é válido e estabelecido em relação a todas as questões da
religião, quer sejam questões de crença, tawhid e shirk, ou
questões de decisões fiqhi.

O fato de que um Muçulmano pode ser
desculpado por ignorância em relação a questões de crença é
indicado por vários pontos de evidência shar’i, como segue:

1.

Os textos shar’i que indicam que
aquele que cometeu erros é desculpado, como o versículo em que Allah, Exaltado
seja, diz (interpretação do significado): “Senhor nosso!
Não nos culpes, se esquecemos ou erramos” [al-Baqarah 2:286].
E
Allah, Exaltado seja, disse [em um hadith qudsi]: “Eu concedi isso”,
como é narrado em Sahih Muslim (126).

E Allah, Exaltado seja, diz
(interpretação do significado): “E não há culpa,
sobre vós, em errardes, nisso, mas no que vossos corações
intentam. E Allah é Perdoador, Misericordiador” [al-Ahzaab 33:5].

E o Profeta (que a paz e as
bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: “Allah perdoou a minha
ummah de seus erros e esquecimento, e aquilo a que são forçados a
fazer”. Classificado como hasan por al-Albaani.

Esses textos indicam que quem faz
algo que é contrário ao que é obrigado a fazer, porque esqueceu ou por ignorância,
deve ser perdoado. Naquele que está enganado também se inclui aquele que
é ignorante, porque aquele que está enganado é alguém que faz algo
contrário à verdade sem intenção.

Shaikh ‘Abd ar-Rahmaan as-Sa’di
disse: Isto é de significado geral e aplica-se a todos os casos em que os
crentes cometeram erros, seja com ações ou crenças.

Fim da citação de al-Irshaad
ila Ma’rifat al-Ahkaam
(p.208)

Shaikh Ibn ‘Uthaimin (que Allah
tenha misericórdia dele) disse: a ignorância é, sem dúvida, um
erro. Com base nisso, se uma pessoa faz algo que constitui descrença, em
palavras ou ações, sem saber que aquilo constitui uma descrença – ou
seja, ele é ignorante da evidência shar’i – então, ela não deve
ser considerada uma incrédula.

Fim da citação de Ash-Sharh
al-Mumti
‘ (14/449).

Shaikh al-Islam Ibn Taimiyah disse: Allah,
Exaltado seja, disse no Alcorão (interpretação do significado“Senhor
nosso! Não nos culpes, se esquecemos ou erramos” [al-Baqarah 2:286]
.
E Allah, Exaltado seja, disse [em um hadith qudsi]: “Eu concedi
isso”, e Ele não diferenciou erros em relação a
questões definitivas ou questões baseadas na probabilidade… Então,
quem quer que diga que aquele que está enganado com relação a
assuntos definitivos ou assuntos baseados em probabilidade está pecando,
foi contra o Alcorão, a Sunnah e o consenso das primeiras
gerações.

Fim da citação de Majmu’
al-Fataawa
(19/210).

E ele disse: Além disso, minha
atitude – e aqueles que passaram algum tempo comigo sabem disso sobre mim – é que
eu sou o único que proíbe, enfaticamente, que julgue uma pessoa
específica sendo incrédula, malfeitora ou pecadora, a menos que se saiba
que há prova definitiva estabelecida contra ele, do tipo de prova sobre
a qual qualquer um que apontar contra ela ou a rejeitar se torna um incrédulo,
um malfeitor ou um pecador. Afirmo aqui que Allah perdoou esta ummah por seus
erros, que inclui erros em questões de crenças, palavras e ações
práticas.

Fim da citação de Majmu’
al-Fataawa
(3/229)

Ibn al-‘Arabi disse: No que diz
respeito aos ignorantes e aqueles que cometem erros dentre essa ummah – mesmo
que façam atos que constituam incredulidade e politeísmo, aquele tipo de
ações que resultam que o praticante seja considerado um mushrik ou um
descrente – devem ser perdoados por sua ignorância e erros até que a prova seja
estabelecida contra eles – do tipo de prova à qual quem a rejeitar se torna um
incrédulo e esta seja explicada claramente na medida em que um homem daquele
calibre não permaneça confuso após tal explicação. Fim da
citação. Isso foi narrado por Al-Qaasimi em Mahaasin at-Ta’wil (3/161).

Shaikh ‘Abd ar-Rahmaan al-Mu’allimi
disse: Mesmo que, às vezes, digamos que isso esteja invocando alguém além de Allah,
Exaltado seja, e seja um ato de adoração e politeísmo, não
queremos dizer que todos o fazem são politeístas (mushrikun).
Pelo contrário, o mushrik é aquele que faz isso sem desculpa. Quanto àquele
que faz isso com uma desculpa, então talvez seja um dos melhores servos
de Allah, Exaltado seja, e um dos mais virtuosos e piedosos.

Fim da citação de Athaar
ash-Shaikh ‘Abd ar-Rahmaan al-Mu’allimi
(3/826)

2.

Os textos indicam que as provas de Allah
contra as pessoas não podem ser estabelecidas, exceto depois que eles tenham
conhecimento da prova, como os versículos em que Allah, Exaltado seja,
diz (interpretação do significado):


“E não é
admissível que castiguemos a quem quer que seja, até que lhe enviemos um
Mensageiro.”


[al-Isra’ 17:15]


“Mensageiros por
alvissareiros e admoestadores, para que não houvesse, da parte dos
humanos, argumentação diante de Allah, após a vinda dos
Mensageiros. E Allah é Todo-Poderoso, Sábio.”


[an-Nissa’ 4:165]


“E não é
admissível que Allah descaminhe um povo, após havê-lo guiado, sem
antes tornar evidente, para ele, aquilo de que deve guardar-se. Por certo,
Allah, de todas as cousas, é Onisciente. “


[at-Tawbah 9:115]

E há outros versículos
que indicam que a prova não pode ser estabelecida, exceto após
conhecimento e explicação clara.

Esses versículos indicam que uma
pessoa responsável não é obrigada a desempenhar obrigações
islâmicas, exceto tendo adquirido conhecimento sobre elas. Se ela não as
conhece, então está desculpada.

Shaikh Ibn ‘Uthaimin disse,
explicando o que aprendemos com este versículo, “Mensageiros por
alvissareiros e admoestadores…” [an-Nisa’ 4:165]
: A coisa mais
importante que aprendemos é que a desculpa da ignorância é uma desculpa
válida, mesmo em relação aos fundamentos da religião,
porque os Mensageiros trouxeram questões fundamentais e menores,
então, se uma pessoa é ignorante e nenhum mensageiro veio até ele,
então possui uma desculpa diante de Allah.

Fim da citação de Tafsir
Surah an-Nisa’
(2/485).

Ibn Al-Qayyim disse:

As decisões shar’i só se tornam
vinculativas para uma pessoa quando ela atinge a puberdade e quando as
decisões a alcançam. As decisões shar’i tornam-se
compulsórias sobre um indivíduo quando este chega à puberdade e
quando ele toma conhecimento delas. Tal como elas não lhe são
compulsórias até que ele alcance a puberdade, não o são
até que ele tome ciência delas.

Fim da citação de Badaa’i’
al-Fawaa’id
(4/168).

Shaikh al-Islam Ibn Taimiyah (que
Allah tenha misericórdia dele) disse em ar-Radd ‘ala al-Ikhnaa’i,
anotado por al-‘Anzi (p.206):

Da mesma forma, se um
indivíduo invoca alguém além de Allah e executa os rituais do Hajj para
alguém além de Allah, ele também é um mushrik, e suas ações constituem incredulidade,
mas ele pode não estar ciente de que isso seja politeísmo, que é
proibido.

Quando muitos dos Tártaros e
outros entraram no Islam, eles possuíam ídolos pequenos feitos de
feltro e outros materiais, dos quais eles se aproximavam e veneravam. Eles
não sabiam que isso era proibido na religião do Islam. Eles
também procuravam se aproximar (e adorar) o fogo, não sabendo que isso é
proibido. Há muitos tipos de politeísmo que alguns dos que entram
no Islam podem desconhecer e não perceber que é shirk. Tal pessoa está
desviada e a ação na qual ela associa outros a Allah é inválida,
mas ela não merece ser punida, a menos que seja estabelecida prova
contra ela. Allah, Exaltado seja, diz (interpretação do significado): “Então,
não façais semelhantes a Allah, enquanto sabeis (que Ele Sozinho tem o
direito de ser adorado)” [al-Baqarah 2:22]
. Fim da citação.

3.

Os textos que contam as
histórias de alguns que caíram em shirk ou descrença, mas foram
desculpados. Incluem o seguinte:

(I) A história do homem que deu
instruções para que seu corpo fosse cremado e quem negou o poder de Allah
sobre ele

Foi narrado de Abu Hurairah (que
Allah esteja satisfeito com ele) que o Profeta (que a paz e as bênçãos
de Allah estejam sobre ele) disse: “Houve um homem que transgrediu contra
a sua alma (cometendo uma grande quantidade de pecados). Quando ele morreu, ele
falou aos filhos: ‘Quando eu morrer, queime-me, depois me recolha meus ossos,
então, espalhe-me pelo vento, pois, por Allah, se meu Senhor me capturar,
Ele me castigará como nunca castigou qualquer outra pessoa.’ Quando ele
morreu, isso foi feito a ele, mas Allah ordenou a terra: ‘Reúna tudo o
que há em ti.’ Então, foi feito, e o homem estava parado ali. Allah
disse: ‘O que te fez fazeres o que fizestes?’ Ele disse: ‘Ó Senhor, eu Te
temia.’ Então, Ele o perdoou.” Muttafac alaihi.

O que este homem disse constituiu
uma grande descrença que coloca alguém além do âmbito da fé, porque aquilo foi
uma negação implícita do poder de Allah reunir o pó
espalhado depois que a pessoa morreu. Além disso, o atributo Divino do poder é
um dos atributos Divinos mais óbvios e claros, que está indubitavelmente
ligado ao Senhorio e à divindade de Allah. Na verdade, é um dos atributos mais
significativos do Senhor. Mas este homem não foi considerado um
incrédulo, porque ele foi perdoado por sua ignorância.

Ibn ‘Abd al-Barr disse: Os sábios
diferiram em relação ao significado desse hadith. Alguns deles disseram:
este era um homem que ignorava um dos atributos de Allah, glorificado e Exaltado
seja, quer dizer, Seu poder. Então ele não sabia que Allah tem
poder para fazer o que quiser. Eles disseram: Se uma pessoa é ignorante quanto
a um dos atributos de Allah, glorificado e Exaltado seja, mas acredita e
conhece todos os outros atributos Divinos, sua ignorância em relação a
alguns dos atributos de Allah não significa que ela deva ser considerada
uma incrédula. E eles disseram: ao contrário, o incrédulo é aquele que
rejeita teimosamente a verdade, e não quem ignora.

Esta é a visão dos sábios
mais antigos e de sábios posteriores que seguiram os passos dos
primeiros.

Fim da citação de at-Tamhid
lima fi’l-Muwatta’ min al-Ma’aani wa’l-Asaanid
(18/42).

Shaikh al-Islam Ibn Taimiyah disse:

Este era um homem que tinha
dúvidas sobre o poder de Allah e Sua habilidade de trazê-lo de volta à
vida caso seu pó estivesse espalhado. Ao contrário, ele
acreditava que Allah não poderia ressuscitá-lo, o que constitui
descrença segundo o consenso Muçulmano. Mas ele era ignorante e não
sabia disso, embora fosse um crente que temesse que Allah o punisse. Portanto Allah
o perdoou por isso.

Fim da citação de Majmu’
al-Fataawa
(3/231).

Ele também disse:

Este homem acreditava que Allah
não seria capaz de reunir seu pó caso ele fizesse aquilo, ou ele
duvidava que Allah pudesse reuni-lo e acreditava que Ele não o
ressuscitaria. Em ambos os casos, tais convicções constituem descrença,
e aquele a quem essa prova foi estabelecida deve ser considerado um incrédulo.
Mas este homem ignorava isso e nenhum conhecimento o alcançara para dissipar a
sua ignorância, mas ele tinha fé em Allah e acreditava em Seus mandamentos e
proibições, Suas promessas e advertências, e, portanto, ele temia Seu
castigo. Então, Allah o perdoou pelo seu medo d’Ele.

Se um daqueles que crê em Allah, em
Seu Mensageiro e no Último Dia, e pratica boas ações, cometer
alguns erros na compreensão de algumas questões de crença, eles
não serão pior do que esse homem. Allah pode perdoar seus erros
ou pode puni-los, se eles não atingirem sua meta e não fizerem esforços
suficientes para descobrir a verdade e segui-la.

Quanto a considerar uma pessoa, que
é conhecida por ter fé, como sendo uma incrédula por simplesmente cometer erros
em relação a algumas questões de crença, isso é realmente uma
questão séria. Fim da citação de al-Istiqaamah (1/164)

Imam Ash-Shaafa’i disse:

Allah tem nomes e atributos que
são mencionados em Seu Livro, e os quais Seu Profeta (que a paz e as
bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse à sua ummah. Ninguém a quem a
prova foi apresentada claramente pode rejeitar isso, porque elas são
mencionadas no Alcorão e em relatos do Mensageiro de Allah (que a paz e
as bênçãos de Allah estejam sobre ele).

Portanto, se uma pessoa vai contra
isso após uma prova clara ter sido apresentada a ela, então ela é
uma incrédula. No entanto, antes de uma prova clara ter sido apresentada, ela
pode ser desculpada por sua ignorância, porque o conhecimento dessas
questões não pode ser descoberto com base em raciocínio ou
com base em reflexão e pensamento. Nós não consideramos
que ninguém seja um incrédulo por não saber disso, exceto depois que o
conhecimento o alcance.

Fim da citação de Siyar
A’laam an-Nubala’
(10/79)

(II) A história dos filhos de
Israel com Moisés (que a paz esteja sobre ele)

Allah, Exaltado seja, diz
(interpretação do significado):


“E fizemos os filhos de
Israel atravessarem o mar, e eles foram ter a um povo que cultuava seus
ídolos. Disseram: ‘O Moisés! Faze-nos ter um deus, assim como eles têm
deuses.’


Disse: ‘Por certo, sois um povo
ignorante. Por certo, a estes, o que praticam ser-lhes-á esmagado,
e derrogado o que faziam.’


Disse: ‘Buscar-vos-ei outro
deus que Allah, enquanto Ele vos preferiu aos mundos?’”


[al-A’raaf 7:138-140].

Eles exigiram que Moisés (que a paz
esteja sobre ele) os desse um ídolo para que eles pudessem buscar
aproximar-se de Deus adorando-o, como aqueles mushrikin haviam tomado um
ídolo para adoração.

Ibn al-Jawzi disse:

Isso mostra quão grande era a
sua ignorância, pois eles pensavam que era permitido adorar algo além de Allah,
após terem visto os sinais.

Fim da citaçãode Zaad
al-Masir
(2/150)

Shaikh ‘Abd ar-Rahmaan al-Mu’allimi
disse:

Parece, pela resposta de Moisés (que
a paz esteja com ele), que mesmo que ele os tenha denunciado pela ignorância,
ele não considerou a demanda deles como apostasia da fé. Isto é apoiado
pelo fato de que eles não foram repreendidos naquele momento, mas sim
foram repreendidos quando levaram o bezerro para o culto. É como se
neste caso – e Allah sabe melhor – eles foram desculpados porque eram novos em
sua fé.

Fim da citação de Majmu’
Rasaa’il al-Mu’allimi
(1/142)

(III) A história de
Dhaat
Anwaat

Foi narrado que Abu Waaqid al-Laythi
disse: Nós partimos com o Mensageiro de Allah (que a paz e as
bênçãos de Allah estejam sobre ele) em direção a Hunain, e
passamos por uma árvore (sidrat al muntaha). Nós dissemos:
Ó Profeta de Allah, transforme-a em um dhaat anwaat para nós,
como os incrédulos têm um dhaat anwaat. Os incrédulos costumavam pendurar (yanutuna)
suas armas em uma árvore sidrat al muntaha e permaneciam ao redor,
mostrando devoção a ela.

O Profeta (que a paz e as
bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: “Allahu akbar! Isto é o
que os filhos de Israel disseram a Moisés: ‘Faça-nos um deus como eles têm
deuses.’ Vós certamente seguireis os passos daqueles que vieram antes de
vós.”

Narrado e classificado como sahih
por at-Tirmidhi (2180). Também foi narrado pelo Imam Ahmad (21900) e
classificado como sahih por Shaikh al-Albaani.

Eles pediram ao Profeta (que a paz e
as bênçãos de Allah estejam sobre ele) para fazer algo que constitui
shirk akbar (politeísmo maior); eles queriam que ele os permitisse
pendurar suas armas em árvores, como os mushrikin. Por isso, o Profeta (que
a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) considerou suas palavras
como sendo semelhantes às palavras dos Filhos de Israel a Moisés.

Muhammad Rashid Rida disse: Aqueles
que disseram aquilo ao Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam
sobre ele) eram novos Muçulmanos que haviam abandonado o shirk recentemente, e
pensavam que, se o Profeta atribuísse algo assim para esse
propósito, seria aceitável e não contrário ao Islam.

Fim da citação de seu
comentário sobre Majmu’ ar-Rasaa’il wa’l-Masaa’il an-Najdiyyah
(4/39)

Shaikh ‘Abd ar-Razzaaq’ Afifi foi
questionado sobre os adoradores de túmulos que creem nos mortos e fazem
solicitações a eles. O shaikh (que Allah tenha misericórdia dele)
disse: são apóstatas do Islam, se a evidência for estabelecida
contra eles. Caso contrário, eles são desculpados por sua
ignorância, como aqueles que pediram um dhaat anwaat.

Fim da citação de Fataawa
ash-Shaikh ‘Abd ar-Razzaaq’ Afifi
(pág. 371)

Shaikh al-Islam Ibn Taimiyah disse:

Depois de aprender o que o
Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) trouxe,
inevitavelmente, descobrimos que ele não prescreveu à sua ummah que
invocasse qualquer um dos mortos, mesmo que fossem profetas, pessoas justas ou
qualquer outra pessoa, fosse com intuito de procurar ajuda ou de outra coisa, fosse
por meio da busca de refúgio ou de qualquer outro caminho.

Da mesma forma, ele não
prescreveu que sua ummah se prostrasse para qualquer um, morto ou não, e
assim por diante. Ao contrário, sabemos que ele proibiu todas essas
coisas, e que essas coisas estão sob o título de shirk, o que
Allah e Seu Mensageiro proibiram.

Mas, devido à prevalência da
ignorância e da falta de conhecimento dos ensinamentos islâmicos entre muitas
gerações posteriores, não é possível considerá-los incrédulos
por causa disso, até que aprendam e descubram o que o Mensageiro (que a paz e
as bênçãos de Allah estejam sobre ele) trouxe, e o que o contradiz.

Fim da citação de ar-Radd
‘ala al-Kubra
(2/731)

Shaikh ‘Abd al-Muhsin al-‘Abbaad disse:

Quanto a invocar os ocupantes das
sepulturas, solicitá-los ajuda e pedi-los que atendam às necessidades e
aliviem a angústia, este é um grande shirk que tira a pessoa do Islam.

Tais ações devem ser
descritas como shirk e kufr, mas não se deve dizer que aquele que faz
isso é um mushrik ou um kaafir, porque quem faz isso é ignorante e está
desculpado pela sua ignorância, a menos que lhe seja apresentada evidência e ele
entenda, e, então, persista naquilo. Nesse caso, ele pode ser
considerado um incrédulo e um apóstata.

A confusão sobre os
túmulos é algo em que muitas pessoas caíram, quem foi criado em
um ambiente onde a veneração de túmulos e solicitação de
seus ocupantes era considerado um sinal de amor aos justos, especialmente se houvesse
entre eles um dos pseudo sábios que induzem as pessoas a venerarem
túmulos e buscarem ajuda de seus ocupantes, afirmando que eles
são mediadores que aproximarão as pessoas de Allah.

Fim da citação de Kutub wa
Rasaa’il al-‘Allaamah al-‘Abbaad
(4/372)

IV) O hadith de Hudhaifah ibn
al-Yamaan (que Allah esteja satisfeito com ele)

Foi narrado que Hudhaifah ibn
al-Yamaan (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: O Mensageiro de Allah (que
a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: “O Islam se
desbotará como uma cor em uma peça de vestuário gasta, até que
ninguém saiba o que é o jejum, a oração, o Hajj e a caridade (zakaah). O
Livro de Allah, glorificado e Exaltado seja, será subtraído à
noite, e nenhum versículo dele será deixado na Terra. E
haverá algumas pessoas remanescentes, velhos e velhas, que dirão:
“Nós vimos nossos pais dizendo estas palavras, Laa ilaha
ill-Allah
, então nós as dizemos também.”

Silah disse a ele: Qual o
benefício para eles (dizerem) Laa ilaha ill-Allah, quando
não sabem sobre o jejum, a oração, o Hajj e a caridade?

Hudhaifah se afastou dele. Ele
repetiu sua pergunta três vezes, e Hudhaifah se afastava mais dele a cada vez.

Então Hudhaifah se virou para
ele na terceira vez e disse: “Ó Silah, isso os salvará do inferno”,
três vezes.

Narrado por Ibn Maajah (4049),
classificado como sahih por al-Buwaisiri em Misbaah az-Zujaajah (2/291);
classificado como sahih por al-Albaani em Silsilat al-Ahaadith as-Sahihah
(1/171).

Este hadith indica que aquelas
pessoas não terão nada senão a fé, em sentido geral, por
afirmar o Tawhid; elas não saberão nada do islamismo, exceto repetindo
simplesmente o que ouviam seus pais dizerem.

Ibn Taimiyah disse:

Muitas pessoas podem crescer em
lugares e épocas em que muitos dos ensinamentos do Islam estejam desgastados,
de modo que não haja mais ninguém para transmitir o que Allah enviou a
Seu Mensageiro do Livro e da sabedoria, então eles não saibam
muito daquilo com o qual Allah enviou Seu Mensageiro, e não haja ninguém
para transmiti-los. Tal pessoa não pode ser considerada uma incrédula,
portanto, os principais sábios concordam unanimemente que quem é criado
no deserto, longe das pessoas de conhecimento e de fé, é novo no Islam e nega
alguma dessas decisões óbvias que foram estabelecidas através de
textos mutawaatir, não deve ser considerado um incrédulo até que ele
aprenda o que o Mensageiro trouxe.

Fim da citação de Majmu’
al-Fataawa
(11/407)

Conclusão:

O tipo de ignorância sobre a qual
uma pessoa é desculpada é aquela em que ela não conhece a verdade e
ninguém menciona a verdade a ela. Esta pode ser uma razão pela qual ela
não possa ser rotulada como uma pecadora e não possa ser rotulada
daquela forma em que ditaria sua ação. Então, se a pessoa afirma
ser Muçulmana e testifica que não há deus além de Allah e que
Muhammad é o Mensageiro de Allah, então ela deve ser considerada como um
deles. Se ela não se intitula Muçulmana, então ela deve ser julgada
com as regras mundanas e como membro da religião a que ela pertença.

Quanto à próxima vida, seu
caso é como o de pessoas que viveram no período entre Profetas, e esta
será julgada por Allah, glorificado e Exaltado seja, no Dia da
Ressurreição. A melhor opinião acadêmica a respeito destas
pessoas é que serão testadas de qualquer maneira que Allah determinar; quem
dentre elas obedeça entrará no Paraíso, e quem dentre elas
desobedeça entrará no Inferno.

Fim da citação de Majmu’
Fataawa wa Rasaa’il ash-Shaikh Ibn’ Uthaimin
(2/128)

Veja também as respostas às
perguntas n° 215338 e
111362

Para mais informações, veja Ishkaaliyyah
al-I’dhaar bi’l-Jahl fi’l-Bahth al-‘Uqadi
pelo Dr. Sultaan al-‘Umairi.

E Allah sabe melhor.