Estou vivendo em Dubai e aqui há grande número de shi’ah presentes no nosso entorno. Eles sempre dizem que fazer o dia 9 e 10 de muhaaram é correto e isto é prova de que amamos Hussein e como disse Yaqub: “E voltou-lhes as costas e disse: ‘Que pesar sinto por Yusuf!’ E os olhos embranqueceram-se-lhe de tristeza, pois estava muito angustiado. Disseram: ‘Por Allah! Não cessarás de lembrar-te de Yusuf, até ficares desfalecido, ou seres dos aniquilados!’ Ele disse: ‘Apenas, queixo-me a Allah de minha aflição e tristeza, e sei de Allah o que não sabeis.’” Por favor, respondam-me o mais rápido possível se bater no peito é certo ou errado?
Todos os louvores são para Allah.
O que os Shi’as fazem no ‘Ashura como: bater no peito,
estapear suas bochechas, golpear seus ombros com correntes e cortar suas
cabeças com espadas para deixar escorrer sangue, são inovações
que não têm nenhuma base no Islam. Essas coisas são males que
foram proibidos pelo Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam
sobre ele), quem não prescreveu à sua ummah a prática de qualquer
dessas coisas ou qualquer coisa semelhante a isso para marcar a morte de um
líder ou a perda de um mártir, não importa qual fosse seu estatuto.
Durante sua vida (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) uma
quantidade de nobres sahaabas foi martirizada e ele lamentou a perda daqueles,
como Hamzah ibn ‘Abd al-Mutalib, Zaid ibn Haarithah, Jafar ibn Abi Taalib e
‘Abd-Allah ibn Rawaahah, mas ele não fez nenhuma das coisas que essas
pessoas fazem. Se isto fosse bom, ele (que a paz e as bênçãos de Allah
estejam sobre ele) teria feito antes de nós.
Ya’qub (que a paz esteja com ele) não batia em
seu peito, arranhava seu rosto, derramava sangue ou considerava o dia da perda
de Yusuf como um festival ou dia de luto. Ao contrário, ele se lembrava
da falta de seu amado e se sentia triste e angustiado por causa disso. Isso é
algo pelo qual ninguém pode ser responsabilizado. O que é proibido são essas
ações que foram herdadas da Jaahiliyyah (tempo da ignorância) e que o Islam
proíbe.
Al-Bukhari (1294) e Muslim (103) narraram que
‘Abd-Allah ibn Mas’ud (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: O Profeta
(que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: “Não
é um de nós quem golpeia seu rosto, rasga sua roupa ou chora com o choro
da Jaahiliyyah.”
Estas ações condenáveis
que os Shi’as fazem no dia de ‘Ashura não têm nenhuma base
no Islam. O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele)
não as fez, nem qualquer de seus companheiros. Nenhum de seus
companheiros fizeram-nas quando ele ou qualquer outra pessoa havia morrido,
embora a perda de Muhammad (que a paz e as bênçãos de Allah estejam
sobre ele) foi maior do que a morte de al-Husain (que Allah esteja satisfeito
com ele).
Al-Haafiz Ibn Kathir (que Allah tenha
misericórdia dele) disse: Todo muçulmano deve lamentar o assassinato de
al-Hussein (que Allah esteja satisfeito com ele), porque ele é um dos
líderes dos muçulmanos, um dos estudiosos dentre os Sahaabas, e o filho
da filha do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam
sobre ele), que foi a melhor de suas filhas. Ele era um adorador devoto, e um
homem corajoso e generoso. Mas não há nada de bom no que os
Shi’as fazem, expressando angústia e tristeza, a maioria deles talvez
faça para se exibir. Seu pai era melhor do que ele e foi morto, mas eles
não têm a sua morte como uma data comemorativa, como fazem com a morte
de al-Hussein. Seu pai foi morto numa sexta-feira quando estava deixando a
mesquita após a oração do fajr, no dia dezessete de Ramadan em 40
AH. ‘Uthman era melhor do que ‘Ali, de acordo com a Ahlus Sunnah wa’l Jamaa’ah,
e foi morto quando foi cercado em sua casa durante os dias de al-Tashriq em
Dhu’l-Hijjah de 36 AH, com a garganta cortada de uma veia jugular à outra, mas
as pessoas não consideram a sua morte como uma data comemorativa. ‘Umar
ibn al-Khattab foi melhor do que ‘Ali e ‘Uthman, e foi morto enquanto ele
estava em pé no mihraab (púlpito), rezando o fajr e recitando o Alcorão,
mas as pessoas não tomam a sua morte como uma data comemorativa. Abu
Bakr al-Siddiq era melhor do que ele, mas as pessoas não consideram a
sua morte como uma data comemorativa. O Mensageiro de Allah (que a paz e as
bênçãos de Allah estejam sobre ele) é o líder dos filhos de Adam
neste mundo e no outro, e Allah o levou para Ele, assim como os profetas que
morreram antes dele, mas ninguém considerou as datas de suas mortes como
aniversários em que se faz o que estes ignorantes raafidis fazem no dia
em que al-Hussein foi morto… O melhor que pode ser dito ao lembrar destas e de
outras calamidades é o que ‘Ali ibn al-Hussein narrou de seu avô, o Mensageiro
de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), que disse:
“Não há nenhum muçulmano que seja afligido por uma
calamidade e quando se lembre dela, mesmo que esta tenha sido num passado
obscuro e distante, e diga Inna Lillaahi wa inna ilaihi raaji’un (em
verdade, a Allah pertencemos e para Ele retornaremos), mas Allah dar-lhe-á
uma recompensa como a do dia em que aquela se abateu sobre ele.”
Narrado por Imam Ahmad e Ibn Majaah, fim da
citação de al-Bidaaiah wa’l-Nihaaiah (8/221).
E ele disse (8/220): Os Raafidis foram a extremos no
Estado de Bani Buwaih no ano de 400 aproximadamente. Os tambores foram tocados
em Bagdá e em outras cidades no dia de ‘Ashura, e areia e palha foram
espalhadas nas ruas e praças, e sacos foram pendurados nas lojas, e as pessoas
expressaram tristeza e choraram. Muitos deles não bebiam água
naquela noite, em comiseração a al-Hussein, porque ele foi assassinado
quando estava com sede. Em seguida, as mulheres saíam com rostos
descobertos, lamentando e batendo em suas faces e peitos, andando descalças nos
mercados, e outras inovações repreensíveis… O que eles
pretendiam com estas e outras ações era impugnar o Estado de Banu Umayiah
(Omíadas), porque ele havia sido morto durante sua época (de governo).
No dia do ‘Ashura, o naasibis da Síria fazem o
oposto do que fazem os raafidis e shi’as. Eles costumam cozinhar grãos
no dia de ‘Ashura, fazem ghusl, perfumam-se, vestem suas melhores roupas e
tomam esse dia como um ‘eid para o qual cozinham todos os tipos de alimentos,
expressam felicidade e alegria, pretendendo, assim, irritar os raafidis e ser
diferente deles.
Comemorar esse dia é uma inovação (bid’ah), e
torná-lo um aniversário de luto também é uma inovação.
Daí Shaikh al-Islam Ibn Taymiyyah (que Allah tenha misericórdia
dele) disse:
Por causa da morte de al-Hussein (que Allah esteja
satisfeito com ele), Shaitaan induziu o povo a introduzir duas
inovações: a inovação do luto e o lamento no dia de ‘Ashura, através
de bater nas bochechas, chorar e recitar elogios … E a inovação da
alegria e comemoração… Assim, alguns introduziram o luto e outros
introduziram a celebração, então eles consideravam o dia de ‘Ashura
como um dia para usar o Kohl, fazer ghusl, gastar com a família e cozinhar
alimentos especiais… E toda inovação é um extravio. Nenhum dos quatro
imams dos muçulmanos ou quaisquer outros (sábios) consideraram qualquer
uma dessas coisas como mustahabb. Fim da citação de Minhaaj al-Sunnah
(4/554).
Note-se que estas ações condenáveis
são incentivadas pelos inimigos do Islam, de modo que eles
possam alcançar seus objetivos malignos de distorcer a imagem do Islam e seus
seguidores. Concernente a isso Mussa al-Musawi disse em seu livro al-Shi’ah
wa’l-Tas-hih:
Mas não pode haver dúvida que golpear as
cabeças com espadas e cortar as cabeças por luto a al-Hussein no décimo dia do
mês de Muharram penetrou no Irã, Iraque e Índia durante a
ocupação inglesa nestas terras. Os ingleses são os que exploraram
a ignorância e ingenuidade dos shi’as e seu profundo amor pelo Imam al-Hussein,
e ensinou-lhes a golpear suas cabeças com espadas. Até recentemente as
embaixadas inglesas em Teerã e Bagdá patrocinavam os desfiles Husseini,
onde este desagradável espetáculo é apresentado nas ruas e becos.
O objetivo da política imperialista inglesa de desenvolver este
espetáculo desagradável e explorá-lo da pior maneira era
dar uma justificativa aceitável para o povo britânico e para a imprensa
livre que se opôs ao colonialismo inglês na Índia e outros países
muçulmanos, e para mostrar os povos destes países como selvagens que
precisavam de alguém para salvá-los da sua ignorância e selvageria.
Imagens dos desfiles que marcharam nas ruas no dia de ‘Ashura, nos quais
milhares de pessoas chicoteavam as costas com correntes e faziam-nas sangrar, e
golpeavam suas cabeças com punhais e espadas, apareceram em jornais ingleses e
europeus, e os políticos justificaram sua colonização nesses
países, com base em uma obrigação humana para colonizar as terras
dessas pessoas cuja cultura era assim, de modo a conduzir esses povos à
civilidade e progresso. Diz-se que quando Yasin al-Haashimi, o primeiro-ministro
do Iraque à época da ocupação inglesa no Iraque, visitou Londres para
negociar com os ingleses pelo fim do mandato, os ingleses disseram-lhe: Estamos
no Iraque para ajudar o povo iraquiano a progredir e alcançar a felicidade, e tirá-los
da selvageria. Isto irritou Yasin al-Haashimi e ele, com raiva, saiu da sala
onde as negociações estavam sendo realizadas, mas a Inglaterra se desculpou
educadamente e pediu-lhe, com todo o respeito, que assistisse a um
documentário sobre o Iraque, que acabou por ser um filme sobre as
marchas Husseini nas ruas de al-Najaf, Karbala e al-Kaazimiyyah, mostrando
imagens horríveis e desconcertantes de pessoas se golpeando com punhais
e correntes. É como se os ingleses quisessem dizer a ele: Será
que um povo educado, mesmo com pouca civilidade, faria tais coisas a si mesmo?!
Fim de citação.
E Allah sabe melhor.
