Eu li na pergunta nº 11804 que o propósito pelo qual a humanidade foi criada era a devoção de sua adoração a Allah unicamente. Será que você poderia me explicar o real significado de adoração?
Todos os louvores são para Allah.
Todos os louvores são para Allah e
bênçãos e paz estejam sobre o Mensageiro de Allah.
‘Ibaadah (adoração) em Árabe,
significa submissão e humilhação própria. Os árabes
usam a frase tariq mu’abbad
para descrever um caminho suave que tornou-se assim por muitos pés terem andado
nele.
Na terminologia Islâmica a palavra ‘ibaadah
é usada em dois sentidos:
1 – As ações de uma pessoa, tal como
rezar ou pagar o zakaah, as quais são descritas como ‘ibaadah. Os
sábios definiram-na como segue:
Isso significa obedecer a Allah fazendo
aquilo que Ele comandou e evitando aquilo que Ele proibiu, enquanto a pessoa O
ama, O teme e deposita Nele suas esperanças.
2 – Isso também se refere à própria
ação em termos abstratos, tal como oração, zakaah, etc. Os
sábios definiram-na como segue:
Esta é uma palavra abrangente que inclui
toda palavra e ações que Allah ama e com as quais Ele está
satisfeito, tanto internamente quanto externamente.
Estas ações obrigatórias
são chamadas de ‘ibaadaat (atos de adoração) porque as pessoas as
fazem com humildade e amor por seu Senhor. Na adoração a Allah deve
haver tanto o amor completo quanto a submissão completa a Ele.
Nosso Senhor nos disse que o
propósito supremo por detrás da criação dos jinn e da
humanidade é que eles O adorarão unicamente, sem parceiros ou associados.
Allah diz (interpretação do significado):
“ E
não criei os jinns e os humanos senão para Me adorarem.”
[al-Dhaariyaat
51:56]
Como podemos alcançar este propósito
e cumprir com este objetivo?
Muitas pessoas acham que ‘ibaadah refere-se
apenas a um número de rituais que Allah ordenou que fossem feitos em
certos momentos – tal como a oração, jejum, Hajj – e que isso encerra o
assunto. Mas não é como essas pessoas pensam.
Quanto tempo leva para fazer esses rituais
de adoração todos os dias e noites? Na verdade, quanto tempo leva na
vida de uma pessoa? E o resto da vida dela? E quanto ao resto de sua energia? E
quanto ao resto do seu tempo? Como deve ser gasto e para onde ele vai? Ela deveria
gastá-lo em adoração ou em outra coisa? Se ela o gasta em algo
diferente de adoração, então como ela poderá cumprir o
propósito para o qual a humanidade foi criada, que o versículo
limitou completamente à adoração de Allah? Como poderá cumprir as
palavras de Allah (interpretação do significado):
“Dize
(Ó Muhammad): “Por certo, minha oração (salaah) e meu culto
e minha vida e minha morte são de Allah, O Senhor dos mundos (da
humanidade, jinn e tudo que existe)”
[al-An’aam
6:162]
‘Ubudiyah é um assunto holístico que
abrange a vida do Muçulmano. Quando ele se esforça na terra procurando
provisão, ele está adorando Allah, porque Allah ordenou-lhe fazer
isso, como Ele diz (interpretação do significado):
“…então,
andai, por seus flancos e comei de Seu sustento. E a Ele será a
Ressurreição”
[al-Mulk
67:15]
Quando ele dorme, ele dorme para reunir
força para adorar a Allah, como Mu’aad ibn Jabal disse: “Eu busco
recompensa pelo meu sono, assim como eu busco recompensa por orar qiyaam”
(narrado por Al-Bukhari, 4342). Na verdade, o Muçulmano não está
contente, a menos que seu prazer em comer, beber e relações conjugais
seja contado na escala de suas boas ações, como o Mensageiro de Allah
(que paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: “Na
intimidade de um de vós há sadaqah (caridade, uma boa
ação)” Eles disseram: “Ó Mensageiro de Allah, se um de
nós satisfaz seus desejos será recompensado por isso?” Ele
disse: “O que pensas, se tu fizeres de maneira haraam (ilícita),
não terias um fardo de pecado?” Eles disseram, “Sim”. Ele disse: “Da
mesma forma, se ele não faz isso de maneira halal, não
terá uma recompensa.” Narrado por Muslim, 1006.
O caminho para alcançar esta grande
posição é a pessoa sempre se lembrar do seu Senhor no que quer que faça,
em todas as esferas da vida, e perguntar-se se está em uma
situação onde o seu Senhor se agradará ou se zangará com ela.
Se estiver em uma situação onde Allah ficará satisfeito com ela,
então que ela louve Allah e faça mais boas ações. Se for de outra
maneira, então que ela busque o perdão de Allah e se arrependa a
Ele, como Allah descreve Seus servos pios quando diz (interpretação da
significação):
“E
que, quando cometem obscenidade (faahishah, relação sexual
ilícita), ou são injustos com si mesmos, lembram-se de Allah e
imploram perdão de seus delitos – e quem perdoa os delitos senão
Allah? – e não se obstinam no que fizeram, enquanto sabem. Esses, sua
recompensa será o perdão de seu Senhor e Jardins, abaixo dos
quais correm os rios (Paraíso); nesses, serão eternos. E que
excelente o prêmio dos laboriosos (que fazem as ações virtuosas de acordo
com as ordens de Allah)!”
[Aal
‘Imraan 3:135-136]
Esta é a forma como os nossos antepassados
virtuosos, os Salaf, e aqueles que os seguiram, entenderam ‘ibaadah. Eles
não a limitaram apenas para rituais e momentos em que fizeram esses
rituais, e passar o resto de suas vidas “fora da adoração”. Em
vez disso, qualquer um deles teria sentido que toda a sua vida era
adoração e que os rituais eram momentos em que ele poderia se concentrar
e renovar sua energia espiritual para ajudá-lo a fazer todos os outros
atos de adoração que foram exigidos dele. Então, eles costumavam prestar
muita atenção a ela tal como um viajante está atento aos
suprimentos que o ajudarão em seu caminho.
Eles eram como seu Senhor descreveu-os (interpretação
do significado):
“Que
se lembram de Allah, estando de pé e assentados e deitados”
[Aal
‘Imraan 3:191]
Em todas as circunstâncias eles costumavam
se lembrar de Allah verbalmente e em seus corações. A ideia da grandeza
de Allah e o temor a Ele estavam constantemente presentes em tudo que fizeram
ou disseram. Se um deles cometesse um erro ou escorregasse, corrigiria a si
mesmo da forma descrita no versículo mencionado acima, da Surah Aal
‘Imraan.
E você deve notar que o homem é um adorador
por natureza; a adoração é instilada a ele. Assim, ou ele adorará
a Allah unicamente, sem parceiro ou associado, ou adorará a algum outro
que não Allah, juntamente com Ele ou ao invés Dele – não faz
diferença. Este tipo de adoração
é a que Allah chamou de “a adoração de Satanás” porque ela é uma
resposta ao chamado de Satanás. E Allah diz (interpretação do
significado):
“Não
vos recomendei, Ó filhos de Adão, que não
adorásseis a Satã (Satanás)? Por certo, ele vos era
inimigo declarado”
[Yaa-Sin
36:60 ].
O homem não pode adorar a ambos,
Allah e Satanás.
“Então,
quem é mais bem guiado? Aquele que anda cabisbaixo ou quem anda erguido, em
senda reta (ou seja, Monoteísmo Islâmico)?
[al-Mulk
67:22]
“Dize:
“Igualam-se o cego e o vidente? Ou igualam-se as trevas e a luz?”
[al-Ra’d
13:16]
Satanás tenta afastar o homem da
adoração a Allah gradualmente.
Algumas vezes ele tem sucesso em termos temporários, como no caso
do pecado, como o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre
ele) disse: “Ninguém que cometa zina é um crente no momento em que comete a
zina, e nenhum ladrão é um crente no momento em que rouba…” Narrado
por al-Bukhari, 2475; Muslim, 57. E algumas vezes ele tem sucesso completamente
e quebra a ligação entre uma pessoa e seu Senhor, de modo que ela comete
shirk ou kufr ou heresia – buscamos refúgio em Allah.
Esta adoração a Satanás algumas
vezes consiste do culto dos caprichos e desejos, como Allah diz
(interpretação do significado):
“Viste
(Ó Muhammad) aquele que toma por deus (ilaah) sua paixão?
Então, és tu, sobre ele, patrono (wakil)?”
[al-Furqaan
25:43]
Esta pessoa que segue as imposições
dos seus caprichos e desejos – fazendo o que quer que pense ser bom e
abstendo-se do que quer que pense ser ruim – está obedecendo os
caprichos e desejos do seu próprio ego, que a chama, então é como
se ela os estivesse adorando como um homem adora seu deus. E algumas vezes isso
toma a forma de adoração do dinheiro, como o Profeta (que a paz e as
bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: “Pereça o adorador do dinar e
o escravo do dirham e o escravo das roupas requintadas; se ele ganha, ele
está satisfeito e se ele não ganha, ele está zangado. Que
ele pereça e recaia, e se ele for perfurado por um espinho, que não ache
ninguém que o remova para ele…”
Narrado por al-Bukhari, 2887.
Isso se aplica a todos, cujos corações
estão apegados a alguma outra coisa além Allah, a seus próprios
caprichos e desejos. Se ele consegue o quer, está feliz, e se
não, fica zangado. Assim, ele é um escravo do que quer que deseje, pois
a escravidão na verdade se refere à escravidão do coração.
Quanto mais é escravo destes desejos, mais fraca é a sua submissão ao
seu Senhor, assim, sua escravidão a esses caprichos e desejos é
tão forte que o impede de aderir completamente à religião,
então se tornará um mushrik (adorador de outra coisa que
não Allah) e kaafir (incrédulo). Se esses caprichos e desejos o afastam
de fazer algumas das coisas que é obrigado a fazer, ou elas criam a ideia de
fazer algumas das coisas que ele é proibido de fazer, mas que não o
coloca além dos limites do Islam, parece atraente para ele, então isso
afeta sua submissão ao seu Senhor e a sua fé, na medida em que o afastam
de cumprir seu compromisso religioso.
Pedimos a Allah que nos abençoe,
permitindo-nos submeter completamente a Ele, e nos faça entre Seus sinceros
servos e amigos íntimos, pois Ele é Todo-ouvinte, Sempre-Próximo
e Sempre-Responsivo.
E Allah sabe melhor.
Que Allah envie bênçãos e paz sobre
Seu servo e Profeta Muhammad, e sobre sua família e companheiros.
Consulte Mafaahim yanbaghi um tusahhah do Shaikh Muhammad Qutub, 20-23,
174-182; Al-‘Ubudiyyah por Shaikh al-Islam Ibn Taimiyah.
(Este último livro está
disponível em tradução inglesa sob o título ‘Uboodiyyah –
Being A True Slave of Allaah, publicado por Ta-Ha, Londres, Reino Unido).
