Quais são as razões pelas quais alguém pode ser dispensado do jejum no Ramadan?

Todos os
louvores são para Allah.

Uma das
maneiras pelas quais Allah tornou as coisas fáceis para Seus servos é que Ele
apenas ordenou o jejum sobre aqueles que são capazes de fazê-lo, e Ele
desculpou aqueles que são incapazes de jejuar por uma razão shar’i legítima. Os
motivos legítimos pelos quais alguém pode ser dispensado do jejum são os
seguintes:

1 –
Doença

Doença
significa tudo o que se refere à pessoa não ser saudável.

Ibn
Qudaamah disse: os sábios concordam que, em geral, é permitido ao doente não
jejuar. A base disso é o versículo em que Allah diz (interpretação do
significado):

“e quem estiver enfermo ou em viagem, que jejue o mesmo número
[de dias que
não se observou Sawm (jejum)] de outros dias”

[Al-Baqarah 2:185]

Foi narrado
que Salamah ibn al-Akwa’ (que Allah esteja satisfeito com ele) disse:
“Quando esta ayah (versículo) foi revelada – ‘E impende aos que podem
fazê-lo, mas com muita dificuldade, um resgate: alimentar um necessitado’
[al-Baqarah 2:184
– interpretação do significado] – aqueles que não queriam
jejuar poderiam fazê-lo, e pagar a fidyah (ou seja, alimentar uma pessoa pobre
para cada dia). Isso permaneceu o caso até que a seguinte ayah foi revelada,
isto é, o versículo:

“Ramadan é o mês em que foi revelado o Alcorão, como
orientação para a humanidade e como evidências da orientação e do critério de
julgar. Então, quem de vós presenciar esse mês, que nele jejue; e quem estiver
enfermo ou em viagem, que jejue o mesmo número de outros dias”

[Al-Baqarah 2:185 – interpretação do significado] – por isso este revogou o outro.”

O doente
que teme que o jejum possa piorar a sua doença ou que vai abrandar a sua
recuperação ou danificar uma parte do seu corpo, tem a opção de não jejuar, e
na verdade é sunnah (recomendável) para ele não jejuar e makruh
(desaconselhável) que complete seu jejum, porque isso pode levar à sua morte.
Então ele deve ser cauteloso e se proteger. Além disso, se a pessoa doente está
muito doente, isso permite que ela não jejuar. Mas se uma pessoa saudável teme
dificuldade ou cansaço, não é permitido que ela quebre seu jejum, caso tudo o
que aconteça a ela quando jejua é que se cansa.

2 –
Viajando

Para que
a viagem resulte em uma concessão eximindo alguém do jejum, as seguintes
condições devem ser cumpridas:

a-         A viagem deve ser longa o suficiente
para que as orações possam ser encurtadas.

b-         O viajante não deve pretender
estabelecer-se no local para onde viaja.

c-         Sua viagem não deve ser para qualquer
propósito pecaminoso, pelo contrário, deve ser por um propósito sadio, de
acordo com a maioria dos sábios. Isso porque a permissão de não jejuar é uma
concessão e alívio que o pecador não merece em sua viagem, porque o propósito
de sua viagem é cometer pecado – como aquele que viaja para cometer banditismo,
por exemplo.

Cancelamento
da concessão para viagens:

Esta
concessão de viagem é cancelada por duas coisas:

(i)         Quando o viajante voltar para casa e
entrar em sua cidade natal, que é o local onde reside.

(ii)        Quando o viajante decide ficar
indefinidamente, ou por um longo período em um lugar, e o lugar é adequado para
se instalar. Assim, ele se torna um residente (ou não viajante), então ele deve
orar suas orações na íntegra e não quebrar seu jejum no Ramadan, porque as
decisões sobre viagens já não se aplicam a ele.

3 –
Gravidez e lactação

Os fuqaha
(estudiosos do fiqh, jurisprudência) estão de acordo que as mulheres grávidas e
lactantes podem quebrar seu jejum no Ramadan, na condição de pensarem que
existe o risco de que elas ou seus filhos possam ficar doentes ou mais doentes,
sofrer danos ou morrer. A evidência para esta concessão no caso delas é a ayah
(interpretação do significado):

“e quem estiver enfermo ou em viagem, que jejue o mesmo número
[de dias que
não se observou Sawm (jejum)] de outros dias” [Al-Baqarah 2:185]

Isso não
se refere meramente a estar doente, pois o doente que não será prejudicado pelo
jejum não é permitido quebra-lo; aqui a doença é mencionada como uma metáfora
para qualquer situação onde o jejum, quando doente, pode causar danos. Isto é o
que se entende por doença aqui. Esse pode ser o caso na gravidez e quando se
amamenta, por isso estes dois casos estão incluídos na concessão de quebrar o
jejum. A evidência de que as mulheres, nestes casos, não podem jejuar é o
hadith de Anas ibn Maalik al-Ka’bi (que Allah esteja satisfeito com ele), que
disse que o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre
ele) Disse: “Allah aliviou o viajante do jejum e da metade da oração, e
Ele aliviou a mulher grávida e lactante do jejum”.

4 – Senilidade
e velhice

A
senilidade e a velhice referem-se a quem é velho e perdeu a sua força, ou que
se aproxima da morte, de modo que cada dia se torna mais fraco, até morrer, ou
que sofre de uma doença terminal ou incurável e não tem esperança de recuperação.
A evidência de que é prescrito para essas pessoas não jejuar é a ayah
(interpretação do significado):

E impende aos que podem fazê-lo, mas com muita dificuldade, um
resgate: alimentar um necessitado’ [al-Baqarah 2:184]

Ibn
‘Abbaas (que Allah esteja satisfeito com ele) disse que esta ayah não foi
revogada, e se aplica a velhos e velhas que não podem jejuar, então, para cada
dia eles devem alimentar um pobre.

5 –
Intensa fome e sede

Se uma
pessoa é assaltada por uma fome intensa ou por uma sede insuportável, então
deve quebrar seu jejum e comer o quanto precisa para afastar essa fome, então, deve
abster-se de comer durante o resto do dia e fazer este jejum mais tarde.

Os sábios
adicionaram à fome e sede intensas o medo da fraqueza ao encontrar o inimigo,
ou temor ou espera de um ataque, como quando se está cercado. Então, se um combatente
sabe com certeza ou pensa que é mais provável que haja luta, pois está
enfrentando o inimigo, e teme que o jejum possa enfraquecê-lo quando lutar, e
ele não está viajando, então ele pode quebrar seu jejum antes de lutar.

6 –
Compulsão

Compulsão
significa uma pessoa forçando outra a fazer algo ou a não fazer algo contra sua
vontade, por meio de ameaças.